(...)e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento,(...) Efésios 3:17-19

Que a paz de Deus e seu amor, esteja com todos os que começam a lerem estas palavras... mas, será que está? A paz do Senhor é dada a todo aquele que aceita recebê-la, de bom grado, na forma do sacrifício do Senhor Jesus feito na cruz para sarar toda culpa do pecado que estava no homem desde Adão. Todo aquele que aceita Jesus como seu salvador pelo sacrifício na cruz, aceita também o amor sacrificial de Deus. Parece algo simples de se entender, então deveria ser também ainda mais simples saber em quem reside, o amor de Deus. Bastaria dizer "que a paz e o amor de Deus esteja em você", caso a outra pessoa diga "amém"(que assim seja) ou que com outras palavras confirmem isto, seria o suficiente, pois "com a boca se confessa" e "da boca sai o que transborda o coração", mas Deus é tão sábio e complexo em sua dimensão, que nos deixa pasmos em como seu raciocínio parece loucura para alguns. Como poderemos ter certeza de que o amor de Deus reside em uns ou outros? Nossa tarefa neste mundo não é a de julgar, mas antes disso, discernir, entender, interpretar as épocas, propósitos e desígnios de Deus em todas as suas dimensões, sempre buscando em sua Palavra juntamente ao Espírito Santo, o entendimento revelado e implícito de cada mensagem. Fosse assim tão implícitas algumas premissas, muitos que se dizem crentes em Jesus, não se contorceriam ao escutar o discípulo João falar sobre o amor de Deus. Logo esse, o "Discípulo do Amor", um homem falho e pecador como qualquer outro, mas escolhido por Deus para crescer em graça e entendimento, para evoluir de "peçamos para descer fogo do céu como fez Elias e consumir com estes incrédulos" para "quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor".

O que teria então João para dizer, que faria igrejas atuais estremecerem em seus propósitos? Que palavras dele colocaria em cheque ministérios inteiros e pior, os fundamentos da fé de muitos? E como as palavras por ele proferidas foram e são entendidas com simplicidade e facilidade pelos mais humildes, iletrados e pobres? É simples, João notou algo que muitos ainda não perceberam, que todo o evangelho, ou seja, mensagem de salvação é baseada num sentimento, numa emoção, numa base humana inata e presente em todos, mas usada apenas por alguns... o Amor!

"Deus é amor", quando se lê isso, alguns já entendem que não é sobre o amor de namorados, esposos, vizinhos, mãe, ou o amor próprio, mas o amor perfeito: Aquele que tudo suporta e tudo sofre, aquele que fez seu filho se entregar como ovelha muda ao sacrifício e este, curiosamente não aceitou ser chamado de "bom", "ninguém é bom, se não Deus". Que tipo de amor é este que vai além do próprio sacrifício, mas ao sacrifício de alguém a quem ama mais do que a si? Quão poderoso e maior é o amor para com um filho, a quem daria sua própria vida, ofereceria então a dele?

Tudo isto pode ser complexo de se entender, até porque na nossa língua portuguesa, reduzimos todos os tipos de amor, a apenas um. O fraternal, o erótico, o materno, o incondicional e o condicional se misturam em apenas 4 letras.

Se descobrirmos os tipos de amor já parece complexo, quem dirá medir a profundidade do amor de Deus para conosco? E mais, como ainda assim, saber se o amor de Deus está em nós? Pois para esta última, João nos deixa claro. O amor de Deus é focal, não veio a ser doado a todos, mas aos necessitados, doentes, pobres e miseráveis. Desde os antigos profetas, Deus se compadece dos injustiçados, dos que vivem à margem da justiça dos homens. Como seria diferente no ministério de Jesus? Ele veio aos pobres, como pobre. E não façamos o crime de metaforizar isto dizendo ser pobre de qualquer outra natureza, se não a social, cultura e financeira. Vivia entre leprosos, mercadores tão mercenários quanto assassinos e ladrões, prostitutas, doentes e mendigos. Onde, hoje, estão estes? Por onde Jesus estaria caminhando, caso já existissem asfalto e calçamento naquela época? Sim! nas ruas de terra, nas esquinas sujas, beirando mendigos famintos, contornando os prostíbulos nas madrugadas em busca dos famintos por Deus. Vide o tanque de Betesda "lugar da misericórdia", onde há quase 40 anos, leprosos viviam noite e dia sem saneamento básico, em meio a dejetos humanos, sangue e doenças. Se você imaginou Jesus com sua túnica reluzente a mantendo limpa durante todo seu ministério, revise o Jesus que ouviu falar. Vide 10 leprosos que estavam fora da cidade, junto com todos os que eram "impuros". Não estaria hoje Jesus sentado numa roda de mendigos? Numa esquina tratando um travesti como um amigo? Não estaria ele tão habituado a alimentar os pobres e miseráveis que no meio da última ceia, ao sair Judas, alguns ainda tiveram a certeza de que estava levando dinheiro aos necessitados? Pois se temos seguido ao mesmo Jesus, devemos estar habituados aos mesmos pobres, sujos e doentes, invés de metaforizarmos para "pobres espirituais" ou "doentes da alma". O Jesus da bíblia tem de ser revisto por muitos que o dizem conhecer. E João, ao perceber algo vital, com tanta importância como o ar necessário para a própria vida, o amor. Assim como também Paulo diz que nada adiantaria entregar seu corpo a ser queimado, sem amor, NADA SERIA aos olhos de Deus. João então, entrega sua pérola chave, para que entendamos de vez, logo em sua primeira carta, como identificarmos o amor de Deus nos homens e diz "Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?" (1 João 3:17). Pode o amor de Deus estar no que sabe fazer o bem e não faz? Pode o Deus habitar seu amor naquele que nega o próprio recurso ao irmão? Não somos nós todos filho do mesmo pai? Não nos ensinou o Filho perfeito Jesus a pedir pelo pão que é Nosso e não Meu? Pai Nosso. Pão Nosso. Pecado Nosso e também nosso perdão. Jesus morreu por todos e não podemos nos doar ao mais próximo que carece de ajuda? Fecharemos voluntariamente os olhos, ouvidos, carteiras e panelas para aqueles que Pedem?

"Eis que estou a porta e bato"... enquanto muitos insistem em usar este trecho para evangelizar, dizendo ser “a porta do coração” é bom que antes lembremos que esta carta é de Cristo Jesus à igreja que se dizia Rica e completa, suficiente e linda... mas como os pobres, miseráveis e humildes entrariam nela? Como a classe média baixa/alta domaria seu asco para dar as mãos aos leprosos? Jesus ficou de fora, pois ela se via plena em si mesma, rica com os próprios recursos e talentos, tudo aquilo que Deus deu, inclusive a vida, proposto a servir aos da própria casa. Um pouco diferente do Jesus que literalmente se abriu aos gentios e indignos. Nos forcemos a rever nosso Jesus, nossos atos de amor e nossas obras, "bem conheço suas obras" disse Jesus sobre a igreja Rica, mas também sobre todas as outras. Qual obras nossas igrejas tem feito? Qual nossa participação? A minha e a sua, que lê isto? Talvez alguém diga "mas eu devolvo o dízimo, estou em dia com minha obrigação", pois bem, lembre-se que não existe obrigação no Reino, apenas o Amor. Não existem 10% no Reino, mas a entrega total da vida. Não há acúmulo, mas perda da própria vida como fez Jesus, o convite é simples "pegue a sua cruz e siga-me". Fomos chamados para a vida, mas antes veremos a morte desta, e a daremos dedicada a nós mesmos? Não. A proposta cristã é ao próximo. Sejamos o samaritano que, mesmo sendo gentio, tratou o outro ser humano como irmão, cedendo seus próprios recursos, mão de obra e tempo, mas não somente isto sem dar também o mais importante, o amor! "Nisto conhecemos o que é o Amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.", lembra João também em sua primeira carta. Que sejamos também discípulos do amor, pois é o mais importante até mesmo entre a fé e a esperança. Que nossas certezas sejam abaladas e confrontadas como a palavra do evangelho de Jesus sempre fez. Que nossas certezas sejam retiradas e reestruturadas nas maneira de viver e ser do próprio Jesus. Que vivamos em amor, dedicados ao próximo, pois somente assim, podemos dizer que amamos a Deus. Pois que desta maneira sim, agrademos ao altíssimo... pois por amor, Deus deu seu único filho em sacrifício para que todo aquele que nele crer, não morra, mas tenha a vida eterna na sua paz e no seu amor.

 

 

Autor: Magdiel Teodoro  

Read 463 times Last modified on Quarta, 21 Junho 2017 20:24
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